Prevenção do câncer de colo de útero

Escrito por Dra. Natasha Malo de Senço, CRM 141.094

 

O câncer de colo do útero é o segundo câncer mais freqüente entre as mulheres e a quarta causa de morte por câncer neste grupo (fonte: INCA). Cerca de 90% dos casos desse tipo de câncer estão relacionados à infecção pelo papiloma vírus humano (HPV). Existem cerca de 100 tipos deste vírus; alguns se relacionam mais com o surgimento de casos de câncer de colo do útero ou de reto, outros com o surgimento de lesões acuminadas (verrugas). Atualmente já está disponível vacina contra o vírus, contendo os subtipos sorológicos mais freqüentes. No entanto, o ideal é que a imunização seja feita antes do primeiro contato com o HPV, que geralmente ocorre por relação sexual.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer são início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais, não utilização de preservativo durante a relação sexual, tabagismo (o risco é proporcional ao número de cigarros) e uso de pílula anticoncepcional.

O câncer de colo do útero se desenvolve de forma lenta e silenciosa no organismo da mulher, de modo que há um grande período de doença sem sintomas. Quando os primeiros sintomas aparecem – dor, sangramento, corrimento de odor forte, o câncer já está muito avançado. Se detectado nas fases iniciais, as chances de cura são de 100% (fonte: INCA). A melhor forma de rastrear a presença do câncer é com o exame preventivo.

Como a infecção pelo HPV é muito comum na população, preconiza-se que todas as mulheres, a partir do início da vida sexual, realizem o exame preventivo anualmente. O exame preventivo é o exame de citologia oncótica de colo de útero, popularmente conhecido como Papanicolau. Ele também deve ser realizado pelas mulheres vacinadas, já que apesar da vacina diminuir a incidência de infecção pelo vírus, não protege contra todos os subtipos de HPV. A periodicidade do exame pode variar conforme alguns fatores de risco para o câncer (variando de anualmente a cada 3 anos).

Em alguns casos, para complementar o exame preventivo, é também realizada a colposcopia (com vulvoscopia). Este exame avalia as paredes da vagina e o colo do útero de maneira mais detalhada e  se encontrada alguma lesão, a biópsia pode ser realizada no mesmo momento. Os dois exames são simples e seguros e podem ser realizados inclusive durante a gravidez.

O preparo para a coleta do Papanicolau envolve não ter relações sexuais por pelo menos 24 horas antes do exame e não passar duchas e cremes vaginais 48 horas antes do procedimento. O melhor período para a coleta é cerca de uma semana antes do período menstrual ou dez dias após a menstruação, pois a descamação natural do útero que ocorre no período perimenstrual pode prejudicar os resultados. Já para a realização da colposcopia deve-se evitar relação sexual ou qualquer trauma local, bem como aplicação de duchas e cremes vaginais por pelo menos 48 horas antes do exame e, idealmente, estar fora do período menstrual.