Estudo de Potenciais Somatossensitivo

Exames neurológicos no CURA

O que é um estudo de potenciais evocados?

Os potenciais evocados (PEs) são os sinais elétricos gerados pelo sistema nervoso em resposta à estimulação do sistema sensorial. Frequentemente são estudados os PEs que avaliam as respostas aos estímulos visuais, auditivos e somatossensoriais. Os estímulos fornecidos são conduzidos ao longo dos nervos e trajetos, que são específicos para cada via sensorial, até diferentes regiões centrais responsáveis pelo processamento desta informação.

O que é a avaliação de Potenciais Evocados Somatosensitivos?
Os potenciais evocados somatossensitivos (PESS) são respostas evocadas no sistema nervoso periférico e central, após a estimulação elétrica do sistema somatossensitivo ou sensorial somático. Este sistema é a parte do sistema nervoso que nos permite experimentar sensações nas partes do corpo, através da percepção consciente da informação sensorial de pele, sistema musculoesquelético e vísceras.

O exame avalia a porção do sistema somatossensitivo responsável pela percepção táctil dos objetos, localização do contato da pele, detecção de vibração e textura, além da identificação da posição, do movimento e da força das articulações. O estudo identifica alterações ao longo do trajeto desta via neurológica desde o estímulo no nervo periférico, geralmente realizado no punho ou tornozelo, passando pela medula espinhal, transmitido para o tronco encefálico e diferentes àreas do córtex cerebral. Desta forma, é possível analisar a integridade da via da sensibilidade profunda.

Como é realizado o exame de Potencial Evocado Somatossensitivo?
O exame consiste de estímulos periféricos e captação de respostas em outras regiões.

O estímulo é realizado no nervo periférico com eletrodos sobre a pele, normalmente o nervo mediano no punho ou nervo tibial no tornozelo. Uma sequência repetida de estimulações elétricas de baixa intensidade é realizada, em duas séries para cada membro examinado. Estes estímulos geralmente são bem tolerados pelo paciente, porém o teste pode causar um pequeno desconforto.

A captação da resposta é feita com eletrodos de disco posicionados na pele sobre pontos anatômicos capazes de registrar componentes esperados em vários níveis do sistema nervoso. Os eletrodos de registro não produzem nenhuma sensação. Os eletrodos são colocados no couro cabeludo e na pele em locais específicos de acordo com a região de estudo (cervical, lombar, abdominal e clavicular).

As respostas são gravadas no equipamento, amplificando os sinais e produzindo gráficos que são analisados pelo médico.

Quais são os achados do exame de Potencial Evocado Somatossensitivo?
Os PESS constituem-se numa série de ondas registradas. Estas ondas refletem a ativação de diversas estruturas neurais ao longo das vias somatossensitivas. As respostas são obtidas com a identificação das ondas e alguns dados podem ser calculados para a interpretação clínica. Atrasos, reduções ou ausência das respostas ajudam a caracterizar a presença e a localização de alterações na via. 
Considerando que há múltiplas vias somatossensitivas e diversas outras vias neurológicas, os PESS podem até serem normais em pacientes com queixas ou déficits neurológicos significativos. Contudo, um resultado anormal comprova uma disfunção dentro da via avaliada.

Qual a importância do exame de Potencial Evocado Somatossensitivo?
A análise da integridade da via é particularmente útil na correlação clínica, sob o ponto de vista de anatomia e funcionamento da estrutura. O exame pode indicar comprometimento subclínico ou sutil ao longo da via somatossensitiva, os quais podem até não serem percebidos pelo paciente ou durante o exame neurológico. Em alguns casos, identifica alterações no funcionamento da via não visíveis na ressonância magnética ou até detectadas pela neuroimagem, porém com natureza não definida.

Deste modo, o estudo é usado em combinação com outros exames para esclarecer o diagnóstico de algumas doenças neurológicas. As informações que serão fornecidas com o exame serão consideradas junto aos achados de história clínica, exame neurológico, exames de imagem e testes neurofisiológicos (eletroneuromiografia) para auxiliar no diagnóstico da enfermidade.

Quais são as aplicações clínicas do Potencial Evocado Somatossensitivo?
O estudo dos PESS avalia situações com exame clínico duvidoso e documenta o acometimento da via da sensibilidade profunda. Esta técnica ajuda no diagnóstico de doenças neurológicas diversas, com disfunção especialmente na medula espinhal, tronco encefálico e córtex cerebral. O exame detecta e localiza comprometimento na função sensorial, porém não é possível determinar a causa específica.

As recomendações do uso clínico dos PESS incluem: esclerose múltipla e alterações na substância branca do sistema nervoso central (lesões desmielinizantes); trauma medular; lesõs tumorais ou outras lesões estruturais medulares envolvendo a via somatossensitiva; avaliação antes da indicação de estimulação medular para melhora de dor intratável. 
Os PESS se destacam ainda na UTI na avaliação da função cerebral durante o coma ou outros estados de rebaixamento de consciência, além de ter se consolidado como técnica de monitoramento intra-operatório da medula espinhal e das vias somatosensitivas. Principalmente em cirurgias da coluna vertebral, os PESS são valiosos na prevenção de danos durante as manipulações.

Quais são os tipos de exame realizados?
Os exames podem ser Potencial Evocado Somatossensitivo dos Membros Superiores ou Potencial Evocado Somatossensitivo dos Membros Inferiores.

 

 

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